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Fred Di Giacomo, escritor

Atualizado: 29 de jul. de 2023

Breve causo de um caipira punk

Filho de professores de ensino fundamental e médio, que dedicaram suas vidas à escola pública, Fred Di Giacomo Rocha é um escritor nascido em Penápolis, extremo oeste paulista, que desenvolveu, também, trabalhos como jornalista multimídia.


Começou sua carreira editando o zine Afrociberdeli@, aos 13 anos de idade, inspirado por bandas como Chico Science & Nação Zumbi e Racionais Mc’s. Leitor juvenil de Leminski, Bandeira e Augusto dos Anjos, foi no zine que publicou seus primeiros poemas adolescentes. Descobriu o punk rock pouco depois e passou a co-criar a cena underground de sua pequena cidade, organizando festivais com bandas de toda região, tocando baixo em grupos como o Praga de Mãe, editando zines e apresentando o único programa de rádio alternativo da cidade. Nessa época, tocou em todos buracos possíveis rodando as várias vilas da periferia do oeste paulista. Também leu autores importantes para suas obras posteriores como Dashiell Hammett, Robert Louis Stevenson, Guimarães Rosa, Nélson Rodrigues, Poe, Kafka, Saramago e Gabriel García Márquez.



Aprovado em primeiro lugar no curso de jornalismo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mudou-se para Bauru onde produziria o média noir “Guido deve morrer”, com seu irmão e futuro cineasta Gabriel Di Giacomo Rocha. Lá fez um documentário sobre o Fórum Social Mundial 2005 e leu Carroll, Nietzsche, Freud, Bukowski, Jung, Rubem Fonseca e os poetas beats.


Migrou para São Paulo para trabalhar como jornalista nos sites das revistas Mundo Estranho e Bizz. Foi, também, editor de diversos projetos digitais de marcas, como Superinteressante e Guia do Estudante, onde ganhou prêmios internacionais por seus trabalhos com infográficos e newsgames (jogos jornalísticos). Nessa época coordenou uma equipe multimídia com 35 pessoas, responsável pelos sites de 9 marcas da Editora Abril.


Em 2013, criou, junto com a jornalista Karin Hueck, o Glück Project — uma investigação sobre a felicidade que questionava a forma como vivemos em uma sociedade consumista e infeliz. Graças ao interesse despertado por seus textos no Glück, deu entrevistas  para revistas, sites e diversos programas de rádio e televisão.


Sempre escreveu ficção e poemas publicados em zines, sites independentes e, agora, livros. É autor de "Gambé" (Companhia das Letras, 2023) e do elogiado "Desamparo" (Reformatório, 2018), além de “Canções para ninar adultos” (Patuá, 2012, com orelha assinada por Xico Sá), “Haicais Animais” (Panda Books, 2013) e “Felicidade tem cor” (Matrix, 2016). Alguns de seus textos (que já foram publicados em sites como Cult, Uol, Fórum, Geledés, Enraizados, HuffPostBrasil, Superinteressante, Elástica, entre outros) viralizaram pela internet (“O rock nacional nos fez ter vergonha da nossa cultura, dos nossos cabelos e dos nossos sotaques“, “Vale a pena largar tudo em busca da felicidade?” e “A História do Ódio no Brasil“) e foram traduzidos para o inglês e o alemão.


Em 2016, o site Creators Project, da Vice Americana, fez um grande e elogioso perfil com os trabalhos multimídias do autor (entre eles dois games que se tornaram sucesso internacional: Science Kombat e Filosofighters) por ter trabalhos relevantes em áreas diversas. Seu game Science Kombat se tornou um viral internacional com destaque em sites da Ásia, Europa, América do Sul e América do Norte. No mesmo ano, tornou-se coordenador da Énois – uma escola de jornalismo para jovens de periferia e consultor na Elemidia. No começo de 2017, participou da equipe que criou o programa “Conversa com Bial” para a rede Globo.

No segundo semestre de 2020, foi aprovado no doutorado em literatura e cultura da Freie Universität -- Berlin e escreveu artigos acadêmicos e ensaios para periódicos como a Revista de Literatura Contemporânea Brasileira (UnB, 2022) e a revista Peixe-Elétrico (2022). Também manteve uma coluna semanal no Uol, onde escreveu sobre arte e literatura, especialmente a produzida por artistas do interior do país, mesmo recorte da antologia "Geração 2010: o sertão é o mundo", que organizou para Editora Reformatório, em 2021. Pesquisa o trabalho de autores contemporâneos como Trudruá Dorrico, Itamar Vieira Junior, Micheliny Verunschk e Krishna Monteiro. Nos últimos três anos, trabalhou como editor e gerente de conteúdo para a revista Cult, a Eletromidia, o datalabe e o site Ecoa, do Uol. Na Europa, organizou a antologia "Pandemônio: 9 narrativas entre São Paulo - Berlin" com a escritora Cris Judar, participou da Printémps Littéraire Bresilien (França), Parataxe (Alemanha) e das Jornadas de Investigacion: Territorios Liminales (Alemanha). Tocou baixo e teve poemas musicados na “Bedibê“, com quem lançou os discos “Envelhecer" (2016) e "América" (2019). Atualmente trabalha no roteiro do longa-metragem "Não Nasci para Essa Cidade", cujo argumento foi selecionado para o laboratório internacional "Cine qua non".

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