O sotaque de Wagner Moura e nosso complexo de vira-latas

Postado em 12/07/2015

Wagner Moura deveria ganhar um prêmio pela sua atuação em “Narcos”, segundo o New York Times – jornal mais importante do mundo. O inglês Guardian foi generoso com a série e seu personagem. Sua atuação também foi elogiada pelodescolado Verge, braço cultural da Vox Media. Já os brasileiros, com seu tradicional complexo de vira-latas, preferiram concentrar suas críticas no pouco convincente sotaque espanhol sem aromas de colombiano oitentista do ator.

Sei lá, não sei se é coisa de quem fez escola trilingue, mochilão pelas 3 Américas e reforços vespertinos de castelhano ameríndio; mas não senti o menor incômodo. O cara assumiu que aprendeu a língua 5 meses antes do começo da série. Pronto. Ninguém tem obrigação de ser bilíngue (aliás no Brasil só 5% da população fala inglês) e a maioria dos filmes europeus e americanos coloca os estrangeiros falando inglês ou a língua local sem nem arriscar um sotaque. (Nunca vi uma resenha sobre o péssimo aramaico do filme “A Paixão de Cristo”, aliás)

Por que a gente não pode só achar legal ter um brasileiro bombando lá fora? Por que não pode focar na atuação dele, que está bem legal? Por que não podemos sair da bolha trilingue e nos orgulhar de um cara  que saiu da Bahia para conquistar o New York Times?

Eu estou orgulhoso, e você?